
Esse estudo tem como objetivo "desestressar" ou esclarecer melhor o propósito de existência e competências das estruturas que conhecemos como "IGREJA LOCAL" E "MISSÃO" ou "X" ou "Y", digo X e Y porque os termos sodalidade e modalidade tem muito pouco significado ou assimilação na nossa língua e realidade.
Vou dar alguns CTRL-C CTRL-V como recortes de artigos baseados nos estudos do missiólogo Ralph Winter (itálico), o qual cunhou esses termos Sodalidade/Modalidade ainda nos anos 70.
É muito comum ouvir a afirmação de que as missões ou agências missionárias existem em virtude da omissão da igreja, o que bíblica e historicamente não é assim.
De acordo com o antropólogo e missiólogo Dr. Ralph D. Winter, as modalidades são “comunidades estruturadas nas quais não há distinção de sexo ou idade”, ou seja, fazem parte dela igualmente “velho e jovem, homem e mulher”; “é um organismo biologicamente perpetuável”. Entre as funções da modalidade estão: congregar, cuidar, nutrir os crentes locais e atuar no contexto social à sua volta. Por sua vez, as sodalidades são estruturas organizadas em torno de alvos específicos e de um senso comum de missão e visão. Exigem de seus membros uma segunda decisão, baseada em um chamado e vocação, e também o compromisso com um estilo de vida alternativo visando o alcance dos alvos, vivência da missão e implementação da visão. Entretanto, o nível de compromisso com o relacionamento com Deus e com incluir o próximo nesse relacionamento deve ser o mesmo em ambas as estruturas.
Dentro destas características, temos as modalidades sendo representadas ao longo da história pelas sinagogas cristãs dos primeiros séculos do Cristianismo, pelas paróquias e dioceses da igreja romana e, mais recentemente, pelas congregações denominacionais evangélicas. As sodalidades, por sua vez, são representadas pelos grupos missionários como o de Paulo, pelas ordens religiosas católicas, e pelas juntas e agências missionárias da Era Moderna.
Uma importante característica da sodalidade é sua autonomia. Observando a relação do grupo missionário de Paulo com a igreja de Antioquia, a qual o liberou para o trabalho que o Espírito Santo lhe havia enviado a fazer [Atos 13:1-4], podemos observar que Paulo era autônomo em relação a ela na tomada de suas decisões, mas totalmente submisso ao Espírito [Atos 16:6-10]. No entanto, não houve um rompimento de Paulo com esta igreja; pelo contrário, apesar de não ser governado por ela, Paulo reportou-se, prestou contas de seu ministério à igreja em Antioquia e a via como um lugar para onde podia retornar de suas viagens [Atos 14:26-28].
Há de se diferenciar aqui autonomia de independência. A sodalidade de Paulo era autônoma em relação à igreja que o liberou, ou seja, possuía capacidade de administrar-se livremente de acordo com as necessidades da missão a ser cumprida, mas não era independente no sentido de ausência de relações. Na verdade, este relacionamento entre modalidade e sodalidade é “tão fundamental” que dele provém grande parte dos escritos do Novo Testamento –as cartas enviadas de membros das sodalidades às igrejas locais. Vemos também que os membros da sodalidade são comumente provenientes da modalidade.
Enfim, há uma relação de interdependência entre as estruturas e ambas são legítimas na composição do corpo de Cristo. Funções diferentes, mas igual importância. Quando entendermos e vivermos isto, seremos realmente eficientes no cumprimento da grande comissão, pois assim refletiremos a união que Jesus mencionou como a característica pela qual o mundo reconheceria que Deus o enviou [João 17:21]. Duas estruturas, mas um só corpo.
Thiago
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